Reabilitação

Novos tempos, novos métodos de acolhimento

Caex amplia atendimentos na pandemia e moderniza tratamento oferecido a dependentes químicos

Jô Folha -

Quando, por motivos que podem ser vários, o poço se apresenta, é preciso estar preparado. E ainda que o apoio de quem está à volta seja importante, o fundamental é amparar-se em si mesmo. Autoconfiança, autoestima e autonomia são os pilares do novo modelo de tratamento da Casa do Amor Exigente (Caex/Pelotas), que passou a receber 20% mais pessoas durante a pandemia.

Com atuação em Pelotas há 25 anos, a Caex é uma das opções que os dependentes químicos encontram na hora de buscar um tratamento da doença. A estimativa é de que mais de 2 mil pessoas já tenham sido acolhidas nessas mais de duas décadas. Atualmente, o espaço conta com 22 vagas destinadas ao Serviço Único de Saúde - 12 custeadas pela prefeitura, dez pelo governo do Estado. Ao todo, no momento a casa tem 27 acolhidos internos, além de seis que já estão na retomada externa.

O mundo mudou bastante nestes 25 anos, porém. E, em 2020, foi preciso modernizar também a forma de lidar com quem chega à Caex precisando de ajuda. Saiu o autoritarismo, entraram mais doses de sensibilidade. Onde antes imperava a lógica punitivista, agora reina a autonomia do acolhido. “Fomos percebendo que essas medidas de castigo não ajudavam. A partir daí, passamos a buscar a reeducação através do protagonismo deles no tratamento”, explica um dos diretores do Caex, José Netto.

Para isso, uma equipe de psicólogos e outros profissionais foi montada e um novo método criado, através de quatro fases. Na primeira, o acolhimento. Na segunda, são trabalhados pontos como o autoconhecimento sem a droga. Na terceira, vem a conscientização e a preparação em algum curso profissionalizante, além da volta do convívio familiar. Por fim, na quarta fase, os acolhidos retomam a vida profissional, ainda acompanhados por seis meses.

Não foi feita ainda uma estimativa, mas Netto acredita que o novo modelo já seja mais eficaz que o anterior, quando o percentual de sucesso no tratamento chegava a 40%. C.C., que há cinco anos esteve na Caex e recentemente sofreu uma recaída, também crê que as mudanças fizeram o processo mais eficiente. “Agora está tudo bem mais didático. Nos dão uma responsabilidade maior e isso é bom, porque a vida vai nos cobrar isso. É uma reestrutura por completo”.

Na pandemia

Ao Diário Popular, a chefe do departamento de Saúde Mental da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Márcia Rosa, conta ter havido um aumento de 20% de procura pelo atendimento oferecido pela Caex aos usuários do Centro de Atendimento Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD). O acréscimo na demanda, inclusive, levou a prefeitura a contratar mais duas vagas municipais no espaço.

Atualmente, o ingresso se dá através de avaliação realizada pela equipe multidisciplinar do Caps AD, que prevê, inclusive, avaliação psiquiátrica, realização de testes rápidos para HIV e Sífilis, assim como exame de raio X de tórax. “Mas o usuário tem que estar motivado a permanecer na Comunidade Terapêutica”, explica Márcia.

À reportagem, a SMS esclareceu ainda que toda pessoa usuária de álcool e outras drogas pode procurar o Caps AD espontaneamente. Os acolhimentos ocorrem de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. O local está organizando para retomar os acolhimentos de usuários também nos finais de semana e feriados.

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